A grande
aposta do estudo Estudo de Ordenamento Urbano e Paisagístico é a resolução dos
problemas ambientais da área da Siderurgia Nacional. Actualmente, existem
naquela zona um milhão e 400 mil toneladas de resíduos, resultantes da
actividade siderúrgica no período entre 1961 e 2001, sem esquecer que existem
solos contaminados com 21 mil toneladas de detritos, que serão tratados e
deslocalizados desta área.
De acordo
com Carreira Querido, presidente da Siderurgia Nacional – Empresa de Serviços (SNES),
«é este projecto que vai assegurar toda a requalificação ambiental do
território, a remoção dos resíduos, tratamento e futura monitorização de todo o
Parque Industrial». Entre 2006 e 2007, a SNES espera conseguir remover todos os
resíduos, uma acção que está estimada em, aproximadamente, 30 milhões de euros.
A
administração da SNES acredita que para esta operação irá beneficiar de um
incentivo comunitário de 75 por cento, no âmbito do Programa Operacional do
Ambiente (POA). «O remanescente será assegurado pelo Estado, de acordo com o
princípio assumido aquando da privatização da Siderurgia», garantiu Carreira
Querido.
Qualidade
ambiental
A qualidade
ambiental é cada vez mais um sinónimo de desenvolvimento e competitividade
local, pelo que, no Estudo de Ordenamento Urbano e Paisagístico, esta
problemática se coloca com grande pertinência, mais ainda quando a actividade
industrial pré-existente deu origem a um passivo ambiental bastante forte, já
devidamente caracterizado, por diversos estudos .
Em termos
gerais, há que garantir que a reconversão responda aos objectivos de
sustentabilidade ambiental definidos pelo Plano Regional de Ordenamento do
Território da Área Metropolitana de Lisboa (PROT-AML).
À frente
ribeirinha existente importa que seja atribuída a importância que devem ter os
espaços litorais, como áreas de desafogo e de protecção dos ecossistemas que aí
se desenvolvem. Estes espaços deverão constituir-se como áreas verdes, onde se
integrarão percursos pedonais qualificados que estabelecerão a ligação ao
restante sistema ecológico municipal.
Dada a
existência de terrenos provenientes de aterros, será também necessário
certificar, em termos de segurança, as suas condições de ocupação com
construção.
Minorar os
impactos
Revela-se
ainda de especial importância conhecer as características das indústrias a
instalar na área de intervenção, uma vez que será necessário compatibilizar esta
função com outro tipo de ocupação, nomeadamente a habitação, o comércio e os
serviços. Nesta perspectiva, interessa saber que níveis de ruído a actividade
industrial produz, bem como as emissões de poluentes e os seus impactes na área
envolvente. Será necessário prever medidas mitigadoras destes efeitos e faixas
verdes de protecção adequadas que permitam proteger, na sua envolvente, as
edificações já existentes e previstas.
Numa
perspectiva de preservação e valorização da estrutura ambiental e ecológica,
interessa ter em consideração os principais corredores verdes estruturantes
deste território: a faixa ribeirinha marginal ao Esteiro de Coina, que interessa
reabilitar com vista a transformá-la em área de enquadramento paisagístico,
qualificadora da paisagem e do ambiente urbano existente e a programar,
constituindo igualmente um espaço pedonal qualificado à beira-rio; a Lagoa da
Palmeira que apresenta índices de poluição muito elevados e que importa
descontaminar, de modo a que possa constituir um elemento central da estrutura
ecológica deste território, incluindo a recuperação do esteiro da Fábrica do
Breyner.
Igualmente
importante é a questão do saneamento ambiental, sendo necessário prever
infra-estruturas que consigam responder às necessidades do Concelho, pelo que o
projecto de reconversão deverá igualmente considerar a incorporação da futura
Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) do Seixal no seu território, que
servirá uma área mais vasta do Concelho.
Caracterização dos resíduos existentes
Na origem
dos resíduos existentes na área de intervenção está a actividade siderúrgica no
período de 1961 a 2001. Nesse espaço, podem ser encontrados resíduos diversos,
fundamentalmente poeiras e lamas metálicas de ferro, zinco e manganês na sua
forma elementar e oxidada, sílica e alumina, carbono orgânico, enxofre e óxidos
de cálcio. A sua classificação segundo a lista europeia de resíduos é: inertes,
84 por cento; não perigosos, 11 por cento; perigosos, 5 por cento.
Estes
resíduos estão depositados em terrenos da SNES e Urbindústria, em armazéns, e na
Lagoa da Palmeira, numa área de 696 025 m2, e terão como destino final a
deposição em aterro controlado de resíduos.
Situação
dos solos
Na área de
intervenção existem duas zonas de contaminação dos solos: os terrenos da zona
dos subprodutos da coqueria, numa área de 5525 m2, contaminada essencialmente
por compostos orgânicos ( fenóis, cianetos, compostos azotados); os terrenos
onde se situa o parque de óleos, numa área de 1200 m2, contaminados
essencialmente por crómio, zinco, chumbo e óleos .
Nestas
zonas, as acções de descontaminação a aplicar passam pela remoção do solo
contaminado, encaminhamento do mesmo para aterro de resíduos controlado e,
finalmente, reposição do solo à cota inicial. A quantidade de solo a remover é
de 21 mil toneladas.